4 lições de pesquisa do usuário de "The Big Short"

Lançado em 2015, “The Big Short” é baseado em uma história real sobre um grupo de investidores que decidiu apostar contra o mercado imobiliário, pouco antes da crise financeira de 2008.

Estrelado por Christian Bale, Steve Carrel, Brad Pitt e Ryan Gosling, o filme didaticamente – e com uma pitada de humor negro – apresenta os bastidores do primeiro cataclismo financeiro do século.

Dado o fato de que o filme é uma versão romantizada da vida real, notei algumas boas práticas de pesquisa do usuário no script.

(Spoilers à frente)
(E sim, está na Netflix)

1. Algumas verdades já estão lá

Michael Burry (Christian Bale), um gestor de fundos de hedge, investiu em dados quantitativos e descobriu que o mercado imobiliário americano era extremamente instável e baseado em dívidas de alto risco e baixa qualidade (Subprime).

Dessa forma, ele poderia prever que o mercado imobiliário entraria em colapso no segundo trimestre de 2017.

Os dados já estavam lá, mas ninguém se importou em analisá-los de maneira tão diligente como Burry. Em uma cena, um dos acionistas pergunta a ele:

ACCIONISTA – E como você sabe que os títulos são construídos em porcarias subprime? Eles não estão cheios de centenas de páginas de hipotecas?

MICHAEL BURRY – Eu os li.

ACIONISTA – Você leu eles? Ninguém os lê. Apenas os advogados que os montaram os leram.

MICHAEL BURRY – Eu não acho que eles nem saibam o que fizeram.

Que tipo de dados está oculto em seu produto, o que talvez tenha o poder de fornecer pistas sobre como o mercado e os consumidores se comportarão no futuro?

Quais padrões de comportamento podemos observar nos dados quantitativos que recebemos?

Vejo designers estudando métricas e análises preditivas para negócios, a fim de entender como trabalhar com esses dados de uma maneira melhor. Aposto que é uma habilidade que o mercado exigirá ainda mais nos próximos anos.

2. Dados e entranhas entram em um bar…

Eu sei que você esteve lá: você encontra informações que se opõem às crenças profundas do grupo. Se sim, o que você faz a seguir?

No filme, Michael passa por uma situação semelhante, mas infinitamente mais delicada: ele decide apostar seu dinheiro em investidores CONTRA o mercado imobiliário, que é visto por todos como sinônimo de estabilidade.

Michael é pressionado pelos investidores a cancelar a operação, mas ele permanece de pé por dois anos (DOIS ANOS), até que o mercado imobiliário finalmente quebra dando-lhe US $ 2,5 bilhões de lucros.

Mesmo tendo sucesso, Michael fecha o fundo de investimento depois de dividir os lucros, devido ao enorme nível de estresse.

Para desafiar o status quo, temos que desenvolver resiliência para defendermos a nós mesmos e, o que é ainda mais importante, não cometer suicídio político.

3. pergunta certa, método certo

O personagem de Ryan Gosling tenta convencer Mark Baum (Steve Carell) a também investir contra o mercado imobiliário. Ele até leva um estatístico para a reunião, para garantir a veracidade de seus argumentos.

Mark Baum é inundado por dados quantitativos durante a apresentação. Todos eles fazem sentido. Mesmo assim, Mark não acredita: como o mercado imobiliário vai desmoronar?

Ainda não satisfeito, Mark decide visitar empreendimentos imobiliários recém-lançados, falando com corretores e pessoas de baixa renda que compraram hipotecas.

Dados quantitativos são capazes de responder perguntas como quanto, quando e o quê. Os dados qualitativos respondem aos porcos e aos comos. Mark Baum precisava de uma nova camada de dados para tomar uma decisão importante e, para isso, precisou usar outro método para adquiri-los.

Um método não é melhor que o outro, e é interessante ver que Mark não pediu mais respostas para as perguntas que já haviam sido respondidas. Ele precisava de novas perguntas.

4. Não pergunte se tudo vai ficar bem

Durante a pesquisa de campo, Mark e sua equipe fizeram perguntas como:

Quantos empréstimos você vende por mês?

E quatro anos atrás?

Quantos deles são rejeitados?

Sua empresa verifica isso?

As pessoas sabem o que estão comprando?

Você poderia ver um padrão aqui?

Ele não pergunta "Você acha que existe uma bolha imobiliária?" Ou "Você acha que será capaz de honrar suas prestações até 2007?". Se ele pedisse isso, ele conseguiria opiniões. Essas mesmas opiniões não poderiam impedir o apocalipse financeiro que estava prestes a acontecer. Mas o comportamento poderia.

Marcos levanta duas hipóteses antes de ir ao campo:
Existe uma bolha imobiliária?
Se sim, quão grande é isso?

Para validar essas hipóteses, ele faz apenas perguntas sobre o modo passado e presente. Ele está cuidando de fatos e comportamentos, não das opiniões das pessoas.

Este é o seu rosto quando você valida uma hipótese no meio e entrevista.

Com o Google-Forms-mania, vejo muitas pesquisas orientadas por opinião, perguntando se os usuários "usariam" um determinado produto ou serviço. É importante lembrar que as opiniões são diferentes do comportamento e que a maneira como perguntamos pode influenciar os dados.

Pedir opinião está ok, sim, mas no contexto certo.

Se você já assistiu ao filme, recomendo que você o assista novamente, com uma mentalidade de pesquisador de usuários. Você consegue identificar outros padrões?

E, claro: não está na descrição do nosso trabalho para prever desastres financeiros. No entanto, se tivermos maturidade suficiente para agir de forma legal em cenários que desafiam nossas crenças, isso é o suficiente para mim.

Texto original em inglês.