A confiança nas notícias está correlacionada com os modos de distribuição

Frederic Filloux Seg. 21 de jul · 5 min ler Astronauta Serena Auñón-Chanceler mede a qualidade das notícias a bordo da Estação Espacial (Photo Nasa)

Os mercados em que os consumidores são os melhores conectados às marcas de notícias, onde as pessoas pagam com mais frequência pelo jornalismo on-line e, em geral, confiam mais no que encontram nas mídias sociais, desfrutam de uma maior confiança em suas mídias.

Os gráficos abaixo são baseados em dados do Digital News Report 2019, publicado anualmente pelo Reuters Institute, que cobre a economia de notícias de 38 países. Em uma nota anterior de segunda-feira , analisamos as forças subjacentes por trás da crescente rejeição de notícias em alguns países. Hoje, olhamos para as discrepâncias nos leitores quando se trata de confiar nas notícias.

Nos mercados analisados pelo DNR, a confiança varia muito da Coréia do Sul, onde apenas 22% dos consumidores de notícias confiam no que lêem ou assistem na Finlândia, que goza de um nível de confiança de 59% em seu ecossistema de mídia. A distribuição geral é assim:

Nos últimos quatro anos, o nível médio de confiança em 12 países caiu 4 pontos, para 44% este ano.

As maiores quedas estão ligadas a eventos que tendem a fraturar as democracias. É o caso do Brasil com a eleição de Jair Bolsonaro (-11 pontos em um ano), na França, com o movimento Yellow Vest (-11 pontos em um ano e uma queda de 14 pontos desde 2015), Alemanha, atormentada por uma intensa debate sobre a imigração (-13 pontos em quatro anos), ou o Reino Unido (-11 pontos em quatro anos, na esteira do Brexit).

Agora, vamos considerar fatores específicos da mídia que contribuem para a diferença de 37 pontos revelada pela pesquisa do Reuters Institute.

1. Acesso direto = mídia mais confiável

Para reforçar a confiança geral na mídia, nada funciona melhor do que favorecer o acesso direto a fontes on-line. Nos países nórdicos, ao preservar fortes identidades e alta penetração no mercado (a Schibsted, por exemplo, atinge 80% dos consumidores na Noruega e na Suécia), as marcas evitaram a diluição nas mídias sociais.

Nesses mercados, uma combinação de reestruturação decisiva, forte dependência de tecnologias e forte marketing – tudo isso apoiado por um sólido jornalismo – favoreceu o acesso direto a marcas de notícias confiáveis. Esse não é o caso na França, por exemplo, onde a mídia está perdendo terreno, sofrendo de uma resistência arraigada à mudança, bem como leis trabalhistas que tornam qualquer reestruturação ruinosa. O protesto da Colete Amarela acentuou a tendência e levou a uma desconfiança geral nos meios de comunicação franceses, apoiando ou não o movimento.

Na Coréia do Sul, as forças em jogo que explicam o desafio às agências de notícias locais são uma fraqueza aparente no jornalismo, especialmente quando se trata de informar sobre escândalos comerciais. Isso resulta em uma forte dependência das mídias sociais, especialmente do YouTube, durante cerca de 37 minutos por dia na Coreia do Sul. A penetração do YouTube e sua mangueira de notícias falsas alteraram a confiança na mídia.

A correlação entre acesso direto e confiança deve fazer com que os editores repensem suas estratégias de distribuição, a necessidade de se distanciar das mídias sociais e os danos que resultam do conceito ilusório de conteúdo distribuído.

2. Consumidores que pagam, confiam mais em suas mídias

A propensão a pagar por notícias on-line permanece a mesma: cerca de 11% em todos os mercados. Mais uma vez, vemos um trecho idêntico entre os países em que as pessoas tendem a pagar mais – e confiam mais – em suas notícias e naquelas que resistem a qualquer forma de pagamento. (Curiosamente, esse não era o caso da mídia impressa, na qual, na Europa, muitos jornais gratuitos eram vistos como bastante confiáveis). A má notícia: estamos caminhando para uma “fadiga de assinatura” generalizada e, mais importante, o Digital News Report afirma que não há espaço para não mais de uma assinatura por domicílio.

3. Confiança no social e confiança nos meios de comunicação estão ligados – tipo de

Embora menos atraente do que para acesso e propensão a pagar, há uma correlação entre a percepção geral do ambiente de mídia social e como as pessoas vêem o jornalismo profissional. Em muitos países, a desconfiança nas mídias sociais tende a infectar marcas legítimas. Mas há exceções espetaculares como na Grécia, onde notícias sobre o social gozam de confiança significativa, e no Reino Unido, que tem uma confiança relativa (40%) nas notícias, mas muito menos (10%) nas mídias sociais.