Agentic engineering: o que é e como difere do vibe coding
Karpathy, criador do vibe coding, propôs o termo agentic engineering para um jeito mais profissional de programar com IA. Veja o que muda, os riscos do vibe coding e como começar.
- Autor
- Gabrielly Vizzotto Cruz
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Lembra quando todo mundo começou a falar de vibe coding? Aquela ideia de pedir para a IA criar um app, aceitar tudo que ela sugere e torcer para funcionar. Pois é: o termo mal tinha completado um ano quando o próprio criador dele sugeriu um nome novo para o jeito como profissionais estão programando com IA: o agentic engineering.
O nome é do pesquisador Andrej Karpathy, o mesmo que inventou o vibe coding. Em português, dá para chamar de engenharia agêntica, numa tradução livre. E não é só troca de rótulo, viu? A novidade diz muito sobre como o papel de quem programa está se transformando.
Neste guia, a gente explica o que é agentic engineering, de onde veio o termo, como ele se diferencia do vibe coding e como começar a trabalhar desse jeito. Bora?
O que é agentic engineering?
Agentic engineering é o jeito de desenvolver software em que a pessoa desenvolvedora não escreve a maior parte do código: ela orquestra agentes de IA que escrevem, testam e corrigem tudo, enquanto supervisiona. Quem define a arquitetura, as regras, os testes e a palavra final continua sendo o humano.
O termo foi proposto por Andrej Karpathy em 4 de fevereiro de 2026, num post no X que marcou o aniversário de um ano do vibe coding. Ele explicou as duas partes do nome assim:
- Agentic (agêntico): porque o novo padrão é que, em 99% do tempo, você não escreve código diretamente. Você coordena agentes que fazem isso e atua como supervisor.
- Engineering (engenharia): para deixar claro que existe arte, ciência e conhecimento técnico envolvidos. É algo que dá para aprender e melhorar com prática.
Na época, Karpathy também observou que programar com agentes de IA estava virando o fluxo de trabalho padrão de profissionais, só que com muito mais revisão e escrutínio do que no vibe coding.
Quem é Andrej Karpathy, afinal?
Se o nome não é familiar, vale o contexto: Karpathy é um dos fundadores da OpenAI, foi diretor de IA da Tesla (onde liderou a visão computacional do Autopilot) e, em 2024, criou a Eureka Labs, uma startup de educação com IA. Em maio de 2026, ele anunciou que entrou na Anthropic, empresa que desenvolve o Claude, para integrar o time de pré-treinamento dos modelos.
"Elevar o piso" x "elevar o teto"
Em abril de 2026, numa conversa no evento AI Ascent, da Sequoia Capital, Karpathy resumiu a diferença de um jeito bem fácil de lembrar: o vibe coding eleva o piso, porque permite que quase qualquer pessoa crie um app ou protótipo. Já o agentic engineering eleva o teto, porque permite que profissionais construam software sério muito mais rápido, sem abrir mão da qualidade.
Na mesma conversa, ele definiu o papel humano numa frase: dá para terceirizar o raciocínio, mas não o entendimento. Ou seja, quem programa precisa entender o suficiente para saber o que pedir, o que conferir e o que rejeitar.
Relembrando: o que é vibe coding?
Vibe coding é programar só descrevendo o que você quer em linguagem natural, aceitando o código que a IA gera sem necessariamente ler ou entender o que foi escrito. O termo também é do Karpathy, que o cunhou num post de 2 de fevereiro de 2025.
A ideia original era se entregar às "vibes" e praticamente esquecer que o código existe. Deu erro? Cola a mensagem de erro de volta no chat e deixa a IA resolver. Ficou estranho? Pede para mudar de novo. Karpathy deixou claro, já naquela época, que isso funcionava bem para projetos descartáveis de fim de semana.
O termo pegou tanto que o dicionário britânico Collins escolheu "vibe coding" como a Palavra do Ano de 2025, definindo-o como o uso de inteligência artificial, comandada por linguagem natural, para ajudar a escrever código de computador.
O grande mérito do vibe coding foi democratizar: gente que nunca programou passou a criar protótipos, ferramentas internas e MVPs em poucas horas. O problema começou quando esse mesmo jeito de trabalhar foi parar em produtos de verdade, com usuários, dados sensíveis e dinheiro envolvido. Mas a gente chega lá já, já.

Vibe coding x agentic engineering: quais as diferenças?
A diferença principal está em quem garante a qualidade: no vibe coding, ninguém garante de verdade; no agentic engineering, o humano monta um processo (especificação, testes e revisão) que garante. Os dois usam IA para gerar código, mas com objetivos e cuidados bem diferentes. Olha só:
| Critério | Vibe coding | Agentic engineering |
|---|---|---|
| Ideia central | Descrever o que quer e aceitar o que a IA entregar | Orquestrar agentes de IA com supervisão técnica |
| Papel do humano | Quem pede e testa "no olho" | Arquiteto, revisor e responsável final |
| Leitura do código | Opcional (muitas vezes, ninguém lê) | Obrigatória nos pontos críticos |
| Planejamento | Quase nenhum, vai no improviso | Especificação e plano antes de codar |
| Testes | Manuais, quando existem | Automatizados, usados pelos próprios agentes |
| Quem verifica se funciona | A pessoa, testando na mão | Testes, linters, CI e revisão humana |
| Conhecimento técnico | Não é necessário | Essencial |
| Melhor uso | Protótipos, MVPs, projetos pessoais | Software em produção, com usuários reais |
| Risco principal | Bugs e falhas de segurança escondidas | Excesso de confiança nos agentes |
Um detalhe importante: um não "mata" o outro. O vibe coding continua ótimo para testar uma ideia rápido ou criar uma ferramenta só para você. A questão é saber quando trocar de modo, principalmente quando o projeto vai lidar com dados de clientes, pagamentos ou qualquer coisa que não possa quebrar.
Como o agentic engineering funciona na prática
Na prática, o agentic engineering transforma o trabalho do dev em um ciclo: planejar, delegar ao agente, verificar e revisar. O código sai da IA, mas o processo em volta dele é desenhado pelo humano.
O fluxo de trabalho típico
- Especificação: você descreve a funcionalidade com clareza, incluindo regras de negócio, restrições e o que conta como "pronto". Muita gente já escreve essa especificação junto com o próprio agente.
- Plano: o agente propõe como vai implementar. Você revisa e aprova (ou corrige) antes de qualquer linha de código ser escrita.
- Execução: o agente escreve o código, roda comandos no terminal, instala dependências e consulta a documentação.
- Verificação automática: testes, linters e pipelines de CI dizem se o código funciona. Quando algo falha, o próprio agente lê o erro e tenta corrigir, em loop.
- Revisão humana: você revisa o resultado como faria com um pull request de um colega, com atenção redobrada em segurança, arquitetura e regras de negócio.
- Integração: só depois disso o código vai para a branch principal e, eventualmente, para produção.
Percebe a diferença? No vibe coding, quem verifica é a pessoa olhando se "parece funcionar". No agentic engineering, quem verifica primeiro é uma bateria de testes automatizados, e o humano entra para julgar o que a máquina não consegue.
Arquivos de contexto: o "manual" do agente
Uma prática que virou padrão é manter arquivos de instruções no repositório, como o CLAUDE.md (usado pelo Claude Code) ou o AGENTS.md (um formato aberto aceito por várias ferramentas). Neles você explica a arquitetura do projeto, os comandos de teste, as convenções de código e o que o agente nunca deve fazer. É como o documento de onboarding que você daria para uma pessoa nova no time.
Principais ferramentas de agentes de código
Hoje, as principais empresas de IA têm seus próprios agentes de código. Veja alguns dos mais conhecidos:
| Ferramenta | Empresa | Onde roda |
|---|---|---|
| Claude Code | Anthropic | Terminal, IDEs, app desktop e web |
| Codex | OpenAI | Terminal (e IDEs, via Gemini Code Assist), IDE, nuvem e app do ChatGPT |
| Cursor | Anysphere | Editor de código próprio (baseado no VS Code) |
| GitHub Copilot (modo agente e coding agent) | GitHub/Microsoft | VS Code, outras IDEs e direto no GitHub |
| Gemini CLI | Terminal (e IDEs, via Gemini Code Assist) |
Por que o vibe coding não basta: casos reais
A virada para o agentic engineering não veio do nada: entre 2025 e 2026, vários incidentes mostraram o que acontece quando código gerado por IA vai ao ar sem revisão. Separamos três exemplos que viraram referência.
O agente que apagou o banco de dados (Replit, julho de 2025)
Jason Lemkin, fundador da SaaStr, comunidade de empreendedores de SaaS, estava documentando no X um experimento de vibe coding com o agente de IA da Replit. Durante um "congelamento de código", com ordens explícitas para não mexer em nada, o agente rodou comandos sem autorização e apagou o banco de dados de produção do projeto, com registros de cerca de 1.200 executivos e quase 1.200 empresas.
Para piorar, o agente disse inicialmente que não dava para recuperar os dados, mas depois o rollback funcionou e eles foram restaurados.
A lição para o agentic engineering: agente nenhum deveria ter acesso livre à produção. Ambientes separados, permissões limitadas e aprovação humana para ações destrutivas são parte do processo.
Os apps com banco de dados aberto (Lovable, 2025)
Em 2025, uma análise de 1.645 aplicativos da vitrine da plataforma de vibe coding Lovable encontrou 170 (cerca de 10%) com falhas na configuração de segurança do banco de dados Supabase, mais especificamente nas regras de Row-Level Security. Na prática, qualquer pessoa sem login podia ler ou alterar dados desses apps. O problema, apontado pelo engenheiro Matt Palmer, foi registrado como CVE-2025-48757 e classificado como crítico, com nota 9,3 de 10.
A lição para o agentic engineering: segurança precisa estar na especificação e nos testes desde o começo. Não dá para esperar que a IA lembre sozinha.
Quase metade do código com falhas (Veracode, 2025)
O relatório GenAI Code Security Report 2025, da Veracode, testou mais de 100 modelos de linguagem em 80 tarefas de programação. Em 45% dos casos, o código gerado tinha vulnerabilidades da lista OWASP Top 10, que reúne os riscos mais críticos de aplicações web. Em Java, a taxa de falha passou de 70%.
A lição para o agentic engineering: código que funciona não é o mesmo que código seguro. Por isso, ferramentas de análise de segurança no pipeline e revisão humana nos pontos sensíveis (login, pagamentos, acesso a dados) são indispensáveis.
Como começar com agentic engineering
Para começar, você não precisa de um time de agentes: basta trocar o "aceita tudo" por um processo simples de planejar, delegar, testar e revisar. Veja um passo a passo:
- Escolha um agente de código. Comece com uma das ferramentas da tabela lá em cima e use-a em um projeto pequeno, de preferência um que você já conheça.
- Crie um arquivo de contexto. Escreva um CLAUDE.md ou AGENTS.md com a estrutura do projeto, comandos de build e teste, padrões de código e as proibições (tipo "nunca rode comandos no banco de produção").
- Escreva a especificação antes do prompt. Descreva o que precisa ser feito, as regras de negócio, os casos extremos e como saber se está pronto. Quanto mais clara a tarefa, melhor o resultado.
- Peça um plano primeiro. Antes de deixar o agente codar, peça que ele explique como vai resolver. Corrigir um plano custa muito menos que corrigir código.
- Monte a rede de segurança. Testes automatizados, linter e CI são o que permite ao agente checar o próprio trabalho. Se o projeto não tem testes, pedir ao agente que crie os testes é um ótimo primeiro trabalho para ele.
- Quebre tarefas grandes em pedaços. Agentes rendem mais em tarefas bem delimitadas. "Crie o sistema de login" é grande demais; "crie o endpoint de cadastro com validação de e-mail" é bem melhor.
- Revise como se fosse código de um colega. Leia os diffs, principalmente em autenticação, permissões, pagamentos e acesso a dados.
- Limite as permissões do agente. Trabalhe em branches separadas, use ambiente de desenvolvimento e exija sua aprovação para comandos destrutivos.
- Use controle de versão sem dó. Commits pequenos e frequentes funcionam como pontos de restauração quando o agente sai do trilho.
E uma dica de ouro: continue estudando fundamentos de programação. Quanto mais você entende de arquitetura, segurança e boas práticas, melhor você consegue orientar e revisar o trabalho dos agentes. No agentic engineering, o conhecimento técnico não perde valor, ele muda de lugar.
Conclusão
O vibe coding mostrou que a IA consegue colocar a criação de software na mão de muita gente. O agentic engineering mostra o próximo passo: usar essa mesma velocidade sem abrir mão de qualidade, segurança e manutenção.
No fim das contas, a pergunta deixou de ser "a IA consegue escrever esse código?" e virou "eu consigo garantir que esse código está certo?". Quem dominar essa segunda parte (especificar bem, montar testes, revisar com critério e saber quando não confiar no agente) vai estar um passo à frente.
E aí, você já está mais pro lado das vibes ou da engenharia? 😄

Perguntas frequentes
O que significa agentic engineering em português?
Uma tradução livre é "engenharia agêntica". O termo descreve o desenvolvimento de software em que agentes de IA escrevem a maior parte do código, enquanto o humano planeja, orquestra e supervisiona o trabalho.
Quem criou o termo agentic engineering?
Foi Andrej Karpathy, cofundador da OpenAI, ex-diretor de IA da Tesla e, desde maio de 2026, pesquisador da Anthropic. Ele propôs o termo em fevereiro de 2026, um ano depois de criar a expressão vibe coding.
O vibe coding morreu?
Não. Ele continua útil para protótipos, MVPs e projetos pessoais. O próprio Karpathy disse que o vibe coding "eleva o piso", tornando a criação de software acessível para mais gente. O que mudou é que, para software profissional, ele deixou de ser suficiente.
Qual a diferença entre agentic engineering e agentic coding?
Os termos são bem próximos e muitas vezes usados como sinônimos. Agentic coding costuma se referir ao uso de agentes para programar. Já agentic engineering enfatiza a disciplina em volta disso: especificação, testes, revisão e responsabilidade sobre o resultado.
Preciso saber programar para fazer agentic engineering?
Sim. Diferente do vibe coding, o agentic engineering exige conhecimento técnico para definir a arquitetura, avaliar o plano do agente e revisar o código. A boa notícia é que trabalhar com agentes também pode acelerar bastante o aprendizado.
O agentic engineering vai substituir desenvolvedores?
A tendência apontada até agora é de mudança de função, não de substituição. No agentic engineering, o agente escreve boa parte do código, mas alguém precisa definir a arquitetura, especificar o que deve ser feito, revisar o resultado e responder por ele. O papel do dev migra de escrever código para planejar, coordenar e revisar.