Apps de criptomoedas podem ter “década de ouro” até 2033
Relatório da Bernstein prevê que a receita dos apps de criptomoedas chegue a US$ 400 bilhões até 2033. Veja os números e o que mudou desde a previsão.
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- agatetepe
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A corretora Bernstein prevê uma "década de ouro" para os apps de criptomoedas entre 2023 e 2033. Em relatório divulgado em janeiro de 2023, a empresa projetou que a receita do setor pode crescer cerca de 16 vezes em dez anos. Para os analistas, o valor do mercado cripto, antes concentrado na infraestrutura (as próprias blockchains), passa a se concentrar nos aplicativos construídos sobre ela.
Apps de criptomoedas podem faturar US$ 400 bilhões em 10 anos

🔍 Objetivo do relatório: estimar quanto o setor cripto deve faturar na próxima década, considerando tanto os aplicativos que rodam em blockchain quanto os serviços oferecidos fora dela.
De acordo com a Bernstein, a receita total do setor deve saltar de cerca de US$ 25 bilhões, em 2023, para US$ 400 bilhões em 2033, uma alta de aproximadamente 1.500%.
🎂 A fatia do bolo: desses US$ 400 bilhões, a corretora estima que a receita descentralizada, gerada diretamente em blockchain, represente quase metade do total. Na época da publicação do relatório, essa participação era de cerca de 15%.
Receita on-chain pode chegar a US$ 200 bilhões
🤑 Um futuro mais rentável: a Bernstein projeta que a receita on-chain (gerada dentro da blockchain) salte de menos de US$ 4 bilhões para quase US$ 200 bilhões em dez anos. Segundo o relatório, esse avanço deve ser impulsionado pela "inovação na escalabilidade da blockchain e pelo crescimento de aplicativos de serviços financeiros e de tecnologia de consumo".
Juntos, os aplicativos financeiros e de consumo devem responder por cerca de 75% da receita on-chain, contra 40% no momento da análise. Nas finanças descentralizadas (DeFi), os destaques apontados são as exchanges descentralizadas (DEXs), as plataformas de empréstimo e os produtos estruturados ou tokenizados.
Jogos com NFT e serviços institucionais devem puxar o crescimento
🚀 Ao infinito e além: entre os aplicativos de consumo, a expectativa é que os jogos baseados em tokens não fungíveis (NFTs) sejam o principal motor de crescimento.
Já na receita off-chain (fora da blockchain), a Bernstein aposta nos serviços institucionais, como prime brokerage (corretagem voltada a grandes investidores), custódia de ativos e formação de mercado (market making).
O que mudou nos apps de criptomoedas desde a previsão?
Quase quatro anos depois, a principal tese da Bernstein se confirmou, embora o caminho não tenha sido linear. Segundo a gestora 1kx, as taxas geradas on-chain somaram US$ 14,7 bilhões em 2024 e bateram recorde no primeiro semestre de 2025, com US$ 9,7 bilhões. Nesse período, as taxas de aplicativos cresceram 126% em relação ao mesmo semestre de 2024, enquanto as taxas das próprias blockchains caíram 40%.
Em 2026, o cenário esfriou. Com o mercado cripto em baixa, a receita total do setor recuou 23% no primeiro semestre, para US$ 47 bilhões, e as taxas on-chain ficaram em cerca de US$ 6,4 bilhões, uma queda de aproximadamente um terço em um ano. Ainda assim, a divisão da receita seguiu na direção prevista: as finanças descentralizadas (DeFi) chegaram a 64% das taxas on-chain, e a fatia das blockchains caiu para 25%.
Por outro lado, o protagonismo previsto para os jogos com NFT ainda não se concretizou, assim como aconteceu com o entusiasmo em torno do metaverso. Em 2025, o segmento de consumo respondeu por apenas 6% das taxas on-chain, puxado por plataformas de lançamento de tokens (launchpads), e não por games.
Vale lembrar que a Bernstein e a 1kx usam metodologias diferentes, por isso os números servem como referência de tendência, não como comparação direta.
Perguntas frequentes
Qual é a previsão da Bernstein para os apps de criptomoedas?
A Bernstein projeta que a receita dos aplicativos de criptomoedas passe de cerca de US$ 25 bilhões, em 2023, para aproximadamente US$ 400 bilhões em 2033. Quase metade desse valor viria de receita gerada diretamente em blockchain.
O que é receita on-chain e off-chain?
Receita on-chain é a gerada dentro da blockchain, como as taxas cobradas por exchanges descentralizadas e protocolos de empréstimo. Receita off-chain vem de serviços prestados fora dela, como custódia, corretagem e formação de mercado para clientes institucionais.
A previsão da Bernstein está se confirmando?
Em parte. Os aplicativos on-chain ganharam espaço e já geram a maior parte das taxas, como a corretora previa, mesmo com a queda de receita em 2026 por causa do mercado de baixa. Já os jogos com NFT, apontados como o principal motor dos apps de consumo, ainda têm participação pequena no setor.